1. Notes: 1 / 2 weeks ago 

    Entrevista com Kris F, do Lesbo World

    Aí eu estava na Unisinos e vi uma garota com cara de modelo. Bastante alta (1,81), magra, loira, aquela coisa toda que te lembra uma modelo. E ela usava uma camiseta com os dizeres “I kissed Katy Perry and she wrote a song about it” (beijei a Katy Perry e ela escreveu uma canção a respeito). Genial.

    Como não sou o tipo de pessoa mais sociável do mundo, fiquei interessada na camiseta, mas achei melhor pesquisar na internet – já certa de que a aquisição teria ocorrido em algum lugar hypado como Nova Iorque ou Londres. Com o nome que estava estampado nas constas da camiseta (Lesbo World) joguei no Google e tive uma surpresa atrás da outra porque:

    a) a camiseta é feita em Porto Alegre

    b) pela guria com cara de modelo

    c) que tem um blog lindo, o Lesbo World

    d) e que, claro, é lésbica

    Obviamente comprei a camiseta e lembrei do último post (no qual eu reclamava sobre a falta de senso estético da blogosfera lésbica brasileira. Perguntei se ela toparia dar uma entrevista e a resposta ta abaixo.

    Quando assumiu pra amigos ou família? Para meus amigos mais intimos, eu contei logo porque somos muito unidos. Ninguém viu problema nisso. Contei para alguns outros amigos, e até agora todos continuam meus amigos. Posso dizer que tenho amigos de verdade. Na faculdade, foi engraçado, porque saí do armário lá também, e fiz instantaneamente vários amigos novos. Foi muito legal. Alguns professores sabem também. Minha família eu não sei se sabe ou não na verdade.

    Como assim? Com a minha família está mais complicado porque sou filha única de pais separados. Já sabem que eu tenho um blog e uma loja virtual relacionados à LGBT, mas não perguntaram nada. Acredito que ou estão em negação, ou já sabem mas não estão preparados ainda para falar sobre isso. Ou talvez, eles realmente não saibam porque não “caiu a ficha” ainda.

    Como é teu dia a dia? No momento estou trabalhando com design freelancer e na lojinha virtual do Lesbo World. Tive que sair do estágio de design que fazia antes por motivo de doença e resolvi dar um tempo para me recuperar melhor antes de voltar à fazer estágio novamente.

    No que estudas e o que pretende fazer depois de formada? Estudo Publicidade e Propaganda na Unisinos e Criação na ESPM. Na verdade quero começar a trabalhar com design e criação antes mesmo de formada, porque é a minha paixão verdadeira.

    Como/quando surgiu a ideia pra fazer as camisetas? Como tem sido o retorno? A ideia nem foi minha na verdade, foi das leitoras do blog. Elas começaram a me contatar através do Twitter e do grupo de conversas do Lesbo World no MSN, dizendo que adorariam a ideia de poderem comprar camisetas com temática lésbica.

    Eu mesma fiz o design das estampas das camisetas e postei no blog para votação. Foram as leitoras que escolheram as estampas da camiseta que estão agora na loja virtual. Isso é o que mais gosto na blogosfera, a interatividade com as leitoras. Estou sempre incentivando para que participem.

    Como a loja é nova, tem apenas uns dois meses, ainda não estamos tendo muito retorno. Vendemos bastante inicialmente para as que tiveram a ideia das camisetas, mas depois disso baixou bastante o movimento. Nosso passo agora é investir em publicidade, dentro e fora da internet, para aumentar a visibilidade da loja. Na Parada Gay, por exemplo, aqui em Porto Alegre, distribuímos bastante material publicitário. Acredito que talvez daqui à um ou dois anos, vamos conseguir recuperar o dinheiro investido.

    Qual tua opinião sobre a blogosfera lésbica? O que poderia melhorar? Na minha opinião a blogosfera lésbica tem bastante quantidade, mas poucos blogs são realmente de qualidade, tanto no conteúdo, como no design e na interatividade com as leitoras. Muitas fazem blogs atraentes, mas sem conteúdo relevante. Falta alguma coisa nas meninas ainda para que tenham coragem de tocar no assunto da sexualidade mais abertamente.

    Acho que o preconceito de certa forma acaba podando a criação. Há muito o que se falar e compartilhar, principalmente experiências pessoais, que acredito sejam muito importantes para quem está se descobrindo ou saindo do armário. No Lesbo World temos atualmente a enquete para casais de lésbicas, a do que é mais importante no relacionamento para as meninas, entre muitas outras. Aceitamos material das leitoras, como textos, fotografias, ou qualquer outro material publicável no blog sobre lésbicas. Isso estimula o compartilhamento de experiências.

    Outra coisa que notei, que foi quando resolvi me aceitar, é que não se fala quase nada de sexo lésbico nos blogs brasileiros. Foi uma das primeiras coisas que eu tive certeza que teria no meu blog.

    Bom, e comentando sobre design…tudo bem que não são todas as pessoas que tem experiência sobre isso, mas acredito que muitos blogs lésbicos estão aí há anos e não conquistam leitoras novas apesar do bom conteúdo porque pecam demais no design.

    Uma das coisas que mais incomodam é o blog que não possui links de compartilhamento em redes sociais, não divulgam alguma forma de contato, não possuem formas de integração ou possuem pouca, ou nenhum tipo de navegação inteligente através do site.

    Há quanto tempo manténs o blog? Eu comecei o blog esse ano (2009) como forma de extravasar a minha aceitação como lésbica, que aconteceu recentemente. Sempre soube, mas só consegui me aceitar quando estive doente esse ano. Acho que ficar tantos dias de molho me fez parar pensar mais na vida, e no que eu estava fazendo. Descobri que a coisa que eu mais queria sempre, era estar com meninas. Mas o medo do preconceito e o medo do que isso iria significar para mim, amigos e família, me podava completamente.

    A primeira postagem do blog foi no dia 27 de julho, e o título era: ” Os cem gays que abalaram o país”. Comecei o blog sem fazer a menor ideia de que algum dia eu teria tantas leitoras. Na verdade achei que o blog não duraria muito tempo, que logo eu ia enjoar e ia virar mais um daqueles blogs abandonados por aí.

    Para minha surpresa, logo vi pessoas comentando, interagindo. Foi aí que comecei o Twitter, e em menos de um mês já tínhamos mais de 100 seguidores, e o numero de seguidores no Twitter e de leitoras no blog vem aumentando cada vez mais.

    O mais impressionante, é que não temos só leitoras e seguidoras lésbicas, muitos meninos gays vêm me procurar, e até meninas heterossexuais. Recentemente na loja vendemos uma camiseta para um rapaz heterossexual que é simpatizante da causa. Acho isso muito genial. De certa forma, mostra que o preconceito vêm diminuindo.

    Já sofreu algum tipo de preconceito? Como lésbica, na verdade ainda não, mas me assumi recentemente então sei que alguma coisa ainda vai acontecer. Acho que o pior vai ser com minha família e o pessoal da cidade onde moram, porque é uma cidade pequena. As pessoas comentam muito fazem muita fofoca. Já sofro e sofri algum preconceito por lá, mas não por ser lésbica, mas por ser diferente deles, ter a mente mais aberta e também porque era muito tímida quando era mais nova e morava lá.

    Em outros aspectos da minha vida, já sofri preconceito por ser mulher, no colégio porque era muito tímida, por pensar diferente dos outros, por ser estrangeira em outro país e na época em que trabalhei como modelo também. Quando era modelo muitos homens se aproximavam de mim porque eu era modelo, e tinham esse pensamento machista de que por ser modelo eu era “fácil”.

    Por quanto tempo trabalhaste como modelo? Trabalhei como modelo por oito anos, comecei aos 17 e parei já fazem alguns anos. Eu morei em São Paulo por 5 anos. De lá eu viajava para o exterior todos anos por alguns meses e depois voltava para os desfiles do SPFW. Viagens, eu viajei muito. Fui para Estados Unidos, Canadá, França, Itália, Inglaterra, China, Hong Kong, Tailândia, Cingapura e Taiwan. Fiquei quase três anos direto na Ásia antes de parar de trabalhar como modelo. Eu parei porque não gostava muito de ser modelo, mas gostava de viajar. Quando achei que já tinha viajado o bastante, resolvi parar e fazer algo de que realmente gostasse.

    Tu namora? Vocês já sofreram algum preconceito por estarem juntas na rua ou algo do tipo? Namoro. Vai fazer cinco meses agora. É a minha primeira namorada na verdade, e temos um relacionamento muito bom. Ela teve alguns problemas com os pais por causa disso, mas o resto da família está dando bastante apoio ao nosso relacionamento.

    Preconceito não sofremos nenhum diretamente. No máximo as pessoas ficam olhando, mas como não falam nada, não sei se olham porque não gostam do que vêem ou se olham só por curiosidade mesmo.

    Quais atividades preferidas pra lazer? A coisa que eu mais gosto de fazer no tempo livre é assistir filmes. Quando posso, saio com meus amigos. Adoro ir em parques aqui em Porto Alegre para fazer piquenique com o pessoal. Também aproveito quando estou livre para visitar a minha família no interior. Metade do meu tempo livre eu passo vendo filmes, a outra parte eu passo com as pessoas que eu amo.

    Onde costuma sair?

    Não tenho saído muito à noite. Eu adorava ir no Beco, ia em quase todas as festas. Mas acho que acabei enjoando, agora prefiro ir em algum bar, fazer festa em casa, ir em parques. Gosto da Redenção porque é perto de casa. Meu bar favorito é o Café Cantante, tem diversos tipos de bebidas alcoólicas ou não e ainda umas tortas e outros doces maravilhosos.

  2. 1 month ago 

    Blogs lésbicos: censura e web 1.0

    O pesquisador Alex Primo define blogs como “meios de comunicação” que podem ser categorizados como “profissionais, organizacionais, pessoais e grupais”. Sendo um meio de comunicação, deveria ser livre de censura, certo? Mais ou menos.

    O Blogger, principal plataforma de publicação de blogs, vem excluindo publicações lésbicas. O motivo? Fotos de beijos entre mulheres, literatura erótica e até mesmo notícias relacionadas ao homossexualismo feminino.

    Para lutar contra a discriminação, blogueiras decidiram criar um abaixo-assinado que, desde o lançamento já contabiliza 542 assinaturas. Segundo as organizadoras do documento, os blogs censurados não infringem a Política de Conteúdo do Blogger nem os Termos de Serviço do Blogger.

    “Nossos blogs são censurados porque falamos do amor entre mulheres? Por que colocamos fotos de mulheres se beijando ou se acarinhando? É essa a razão? E os blogs héteros? Fotos de casais héteros são permitidas?” questionam as organizadoras.

    “Se assim fosse, o que seria de escritores como Anais Nin, Henry Miller, Hilda Hist, D. H. Lawrence, Vladimir Nabokov e outros que se consagraram com maravilhosos livros de literatura erótica?”, completam.

    Uma das maiores reclamações das manifestantes está no fato de o Blogger acatar reclamações de usuários sobre o conteúdo do blog e, sem aviso prévio (ou seja, sem dar tempo de pelo menos guardar o material e migrar para outra plataforma) excluir o blog.

    Mesmo com a exclusão, o Brasil reúne cerca de 190 blogs lésbicos, segundo informações do portal Parada Lésbica, que cadastra as publicações em seu Diretório de Blogs.

    “O objetivo é unificar a comunidade lésbica na internet, inscrevendo todos os blogs de autoras lésbicas possíveis”, afirma Del Torres, editora do portal que recebe 20 mil visitas por dia e 550 mil por mês.

    Na definição de Alex Primo, as publicações poderiam ser enquadradas na categoria Pessoal auto-reflexivo que tratam de “blog individual voltado para a manifestação de opiniões e reflexões pessoais sobre si, sobre os outros e sobre sua vida cotidiana”.

    Como não poderia deixar de ser, a única característica que une os blogs é a autoria lésbica. No mais, os temas são variados e incluem assuntos como cultura pop, cinema, poesia, direitos, feminismo, entre outros.

    Interessados em um humor à Nick Horby, podem curtir as crônicas do 43/44. Já o Consciência Lésbica, editado por uma militante feminista aborda assuntos como direito homoafetivo e como reconhecer homofobia internalizada, por exemplo. Outro endereço bastante útil é o The L Word Brasil que disponibiliza links para as temporadas completas do seriado homônimo e também para lojas que vendem os DVDs. Para finalizar, Batom e Boné, um blog cheio de humor que retrata a vida de um casal butch&femme. Recomendadíssimo.

    Já que eu sou nerd viciada em usabilidade e design, tenho que dizer: apesar de capricharem no conteúdo, a maioria dos blogs lésbicos ainda está parados em algum ponto dos anos 90, naquele tempo de internet 1.0.

    (O Parada Lésbica é um caso à parte, mas também não pode mais ser considerado blog e sim, portal.)

    Utilizar o Blogspot não é apenas um risco em relação à censura, mas ao bom gosto. A maioria dos blogs hospeda sua publicação no serviço da Google e mantém a formatação padrão ou abusa de backgrounds pretos + letras coloridas (diferente a cada postagem), sem nenhuma integração com ferramentas sociais, widgets, etc.

    Blogs que contam com layout clean, afinado com a chamada web 2.0 e hospedados em sites como Wordpress e Tumblr ainda não são realidade, infelizmente.

  3. 2 months ago 

    Dyke ou não, eis a questão

    Fazer parte de uma minoria é complicado. Imagine agora fazer parte da minoria dentro da minoria encarando eventuais preconceitos de quem vive em situação semelhante a sua. Imaginou? Pois bem, agora você sabe o que passa na cabeça de uma butch.

    Mas o que é uma butch? - você pode estar se perguntando (ou não, dado o nome deste blog e as fotos e vídeos dos posts abaixo).

    Caso você esteja se perguntando, butch, ou dyke, é uma lésbica (minoria) cujo estilo e atitudes são pouco, muito pouco ou nada femininos (minoria da minoria).

    “Há muita rejeição às ‘masculinas’ e ‘ativas’ em quase todas as idades e estratos sociais. Há também muita rejeição a casais formados por duas ‘masculinas’”, declara a antropóloga Regina Facchini, que publicou o recomendado estudo Considerações narrativas sobre as vivências afetivo-sexuais entre lésbicas e suas relações com os mitos e estereótipos a respeito da lesbianidade”.

    E a rejeição não é apenas por parte da sociedade “convencional” mas também entre mulheres homossexuais. O Leskut, rede social para lésbicas e bissexuais, que conta com 19 mil participantes demonstra este quadro. A comunidade Femininas X Femininas agrega 1174 usuárias. Já a comunidade Butch soma 437 participantes, reunindo não apenas as masculinas mas também as chamadas ‘femmes’ ou ‘ladys’, ou seja, mulheres que preferem companheiras não-femininas.

    “Se eu gosto de mulher, o normal é que eu queira estar com uma mulher. Mulher pra mim, tem que ser feminina, delicada, que preserve a beleza, que seja detalhista. Além do mais, não quero alguém que parece homem comigo”, comenta R.F, uma das participantes que não quis se identificar.

    Não é a opinião da editora do falecido blog Uva na Vulva (valeu, Emanuele), referência no meio GLBT. “Ser butch é ser mulher antes de qualquer coisa. É mesclar o melhor da energia feminina ao melhor da energia masculina criando um gênero de essência impar, apesar e além de aparências ou comportamentos normalmente MAL-conceituados como sendo exclusivos do SEXO masculino”.

    Para a editora, que assina simplesmente como Butch F, as mulheres que se identificam desta forma “não são e nem querem ser ou parecer homens. Não são transexuais /transgêneros, mas transgressoras”.

    “É preciso entender que essa energia que convencionamos chamar de masculina não é exclusividade só de homens. Pré-conceituar, estigmatizar e principalmente generalizar as lésbicas masculinas todas dentro desses estereótipos de caminhoneira, barraqueira, feia, cafona, vulgar, encrenqueira, agressiva e outros adjetivos do gênero, é burro, ultrapassado e extremamente preconceituoso”, completa.

    A colunista Silvia Kiss concorda: “Mesmo dentro de um grupo de homossexuais a velha idéia taxativa de como um gay ou uma lésbica deve ser e se portar permanece e gera conflitos desnecessários. Somos diferentes e temos dificuldade em aceitar outras diferenças. Para alguns é feio e estranho ser travesti, transexual, bissexual. Lésbica masculina só pode ficar com feminina, transexuais são gays ou lésbicas que negam a sua homossexualidade – transformando-se no sexo oposto, bissexuais são indecisos e só querem aventuras, e tantos outros mitos e absurdos que ainda reinam por aí e que devem ser extirpados através da informação e observação minuciosa dos fatos.”

    E informação sobre dykes na mídia convencional é escassa. Ainda assim, exemplos de butchs famosas não faltam: Cássia Eller, Ellen Degeneres, Samantha Ronson e Rachell Madow são algumas (alguém disse Dona Deise? well, maybe).

    Existe também um top 15 de personagens butches que apareceram em filmes e séries como L Word.

    Outra lista, esta controversa, afirma elencar as 100 butches da vida real mas há um porém: o ranking inclui FTMs, transexuais femininos. O assunto será discutido nos próximos posts mas, basicamente, FTMs vêem a si próprios como “homens em corpos femininos” e assumem-se como heterosexuais, pois, afinal, relacionam-se com mulheres.

    Para finalizar, um vídeo da dupla de rappers lésbicas Team Gina que usa o humor para tratar do tema butch/femmes. Confira:

  4. 3 months ago 
    The Butchies
http://www.myspace.com/thebutchies
     
  5. 3 months ago 
    [Flash 9 is required to listen to audio.]

    Send Me You, single da banda norte-americana The Butchies.

  6. 3 months ago 
    "Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome."
    - Clarice Lispector
  7. 3 months ago 

    A jornalista Rachel Maddow, da WNBC, é entrevistada pelo talk show The View

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Blog experimental criado para a cadeira de Estágio Multimeios. Unisinos. 2009/02. Márcia Lima

OBS: Por algum motivo, os comentários não estão aparecendo. (Sim, isso é horrível). Até que eu arrume, se você quiser entrar em contato, mande e-mail para marcia.lima.it[at]gmail.com.
 
 

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